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sábado, 9 de agosto de 2008

Pixinguinha - O Jovem Pixinguinha-Gravações Originais de 1919 a 1920 (1999)

Bem, continuando a série Pixinguinha, coloco agora essa preciosidade sem igual! Realmente deliro ouvindo "A Velha Guarda" ou "Os 8 Batutas" mas acredite: esse é meu disco preferido. Aqui despe-se dos títulos de pai da MPB e gênio maior da nossa música o virtuose e poeta da flauta que em sua embocadura, penetra terrenos místicos da música. São suas mais singelas e clássicas composições em roupagens que deram ao nosso São Pixinguinha ainda o título de maior flautista brasileiro de todos os tempos. O cara é cheio dessas epígrafes grandiosas. Bajulações que devem incomodar nosso simplório músico. Ouça-o apenas! E aqui nesse disco você o terá para isso seu sonhador. E numa qualidade sonora realmente incrível para a idade das gravações. Muito antes de sua importância histórica aqui seu sopro cala os críticos e os admiradores para que seus ouvidos o ouçam. Que suas almas o absorvam. Ouça essas gravações escondido lá no fundo da alma e descobrirá o que é contemplação. O que é o amor que não existe. O que é o valor prodigioso de sentir-se vivo. É a transcendência da arte! Prá mim (e acredito que para a maioria leiga como eu em história da arte) esse Pixinguinha doce à flauta é maior até que o revolucionário dos arranjos de que tanto falam seus biógrafos. Aqui o pesquisador que, no início do séc. XX, forçou incansavelmente as fronteiras da música descansa placidamente transformado em música. É assim que ele chega aos ouvido de todos: tocante, simples e profundo. Construindo com uma simplicidade hemética o que, não tendo nome, mais tarde atendeu por música brasileira.

baixe esse disco essencial prá sua vida

Pixinguinha - No Tempo dos Oito Batutas (1995)

Como falar de Pixinguinha sem reservar um bom tempo de prosa sobre essa proeza chamada "Os 8 Batutas"? Chovem teorias sobre o impacto desses jovens senhores sobre a música brasileira e mundial. De qualquer forma, é inegável considerá-lo, enquanto grupo pioneiro, o mais importante marco da história da MPB. Um tipo raro de "coincidência" cósmica em que os caras certos, conseguem fazer a coisa certa, na hora certa e no lugar certo. Tudo vibrou numa única e inevitável harmonia. O resultado, mais que um produto, foi um milagre brasileiro. Mas saiba um pouco dessa história seu pirateriro desinformado. Ela começa em 1919 quando o gerente do Cine Palais, Isaac Frankel, encomenda a Pixinguinha uma atração para a sala de esperas do lugar. Nessa época Pixinguinha já era admirado no meio artístico e reconhecido como um virtuose precoce (aos 12 anos já tocava cavaquinho e aos 13 estreava na revolucionaria era do disco que se iniciava). Isaac o conhecia do Grupo Caxangá aonde o viu tocar com Donga e João Pernambuco, um dos maiores violonistas de todos os tempos. Desse grupo aliás é que formou-se Os 8 Batutas trazendo além de Pixinguinha na flauta e Donga e Raul Palmierino no violão, Nelson Alves no cavaquinho, China no canto, violão e piano, José Alves no bandolim e ganzá e Luis de Oliveira na bandola e reco-reco. O repertório era de choros, maxixes, canções sertanejas, lundus, batuques e cateretê. Com o tempo o grupo já não cabia na pequena sala do Cine Palais. Gente importante como Rui Barbosa e Ernesto Nazareth sabia que aquilo tratava-se de uma revolução. Os arranjos criados por Pixinguinha davam àqueles gêneros na maioria europeus, uma peculiaridade musical nunca ouvida antes. Estava sendo cunhado ali, sem erro, o arranjo musical brasileiro. Arranjos pelos quais Pixinguinha seria considerado para sempre um dos pais da música popular brasileira. Um continuador inspirado da obra de Chiquinha Gonzaga e Ernesto Nazaré que elevou o choro a sua forma musical definitiva. Não tardou a começarem os convites para festas e saraus, muitos de milionários como Arnaldo Guinle. Ganhando páginas em jornais e revistas, logo estavam também em cidades de São Paulo, Minas e do Nordeste. Vale lembrar que até então um grupo de negros tocando aquela mistura estranha e despudorada, mas muito contagiante, era algo nunca visto antes e não faltaram protestos contra aquele tipo de espetáculo. Mas a grande guinada do grupo se deu com a mítica viagem de 6 meses que fizeram a Europa em 1922. O convite surgiu após se apresentarem com o casal de dançarinos Duque a Gaby no Cassino Assírio, no subsolo do Teatro Municipal. Foram para a capital parisiense custeados pelo mecenas Arnaldo Guinle. Lá o jazz e toda aquele efervecência artística de vanguarda encontraram em Pixinguinha o alquimista adequado e tecnicamente seguro para temperar o som dos barutas. Pixinguinha já provara ser um artista inquieto e cheio de experimentações. Algumas delas aliás muito criticadas por romperem com "tradicionalismos" da época. Caso notório é o da música do século "Carinhoso" que composta em 1917, só foi desengavateda anos mais tarde por trazer inovações mal vistas pelos "puristas da arte" de seu tempo. Após então muitos shows abarruados e contatos alienígenas, nossos astros voltam para o seu torrão sem perder o pique. Shows sobre shows. Traziam agora o jazz, saxofones, clarinetes e trumpetes. Mas começaram as dissidências e dificuldades financeiras. Passaram por inúmeras formações diferentes, membros saíam e voltavam. A inconstância levou esses grandes cavalheiros a dissolverem definitivamente a banda por volta de 1927 deixando um legado incalculável para música brasileira. Uma contribuição que delineou os caminhos que a música brasileira (principalmente a carioca) seguiria dali em diante. Essas gravações que você já deve estar baixando são as únicas feitas pelo grupo. Só 20 músicas!!! Coisas desse nosso país tão preocupado com sua arte. Foram feitas pela Victor na Argentina logo depois da chegada do grupo de Paris. Nunca gravaram nada no Brasil!!!! Documentos raríssimos e de importância ímpar em nossa história compilados nesse CD memorável do selo Revivendo. Bem, já que você agora sabe um pouquinho da história, resta ouvir essas gravações lendárias.

Achei essa preciosidade no Cápsula da Cultura. Talvez um blog insuperável se a pedida é samba.

baixe e comprove que os 8 batutas não foram só um sonho

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

A Velha Guarda (1955)

Gente, olha esse disco! Coloco-o no altar mais alto desse blog! Aí eu penso de dentro da minha ignorância como um bolachão desses nunca entrou nessas infames listinhas dos "melhores discos da história da música brasileira"? A idéia que a posteridade renderá graças eternas de reunir essa turma foi do então cantor e famoso radialista Almirante. Esse verdadeiro congresso titânico aconteceu em 1954 quando o entusiasta do rádio reuniu gente como Pixinguinha, Donga, João da Baiana, Benedito Lacerda e Ismael Silva (é mole?!) no que ficou conhecido como o Primeiro Festival da Velha Guarda da Radio Record em São Paulo. Vale lembrar que o Grupo Velha Guarda que já contava com Pixinguinha, Donga e João da Baiana, já existia desde 1930 mas nunca havia alcançado tamanha evidência na mídia, tendo até então gravado apenas discos de 78 rpm. Mas reunida a turma absurda, apresentaram-se no Teatro Colombo, no Clubinho dos Artistas e ao ar livre no Ibirapuera num show histórico. Espetáculo que (acreditem!!!) foi registrado em película e transformnado num documentário de 10 minutos. Um dos maiores documentos históricos da nossa da tão fraca memória brasileira. O pequeno rolo ficou desaparecido por 50 anos (só no Brasil mesmo), só chegando ao público em 2006. Aí as imagens rodaram o mundo alagando salões de pomposos festivais e cinemas com lágrimas e muita secreção salivar. Bom, mas semanas depois de arrasarem São Paulo, os chorões estavam no Rio também provando que aquela reunião interestelar de relíquias era verdade. Era a nobreza máxima reunida ali naqueles anos 50. Gravaram 3 LPs de 10 polegadas. Este que aqui está a sua frente, passivo ao lado do seu wnamp é o primeiro. Nele você vai ouvir Pixinguinha extraindo resíduos atômicos de seu sax e arranjando com maestria aquilo que criou: a música brasileira. Vai chegar aos seus ouvidos também o lendário ponteado de Donga. Cordas rebeldes submissas ao toque milenar do ex-8 Batutas. E meu João da Baiana proferindo suas aulas rítmicas ao pandeiro, prato e faca, ganzá e surdo. A essas estrelas maiores juntaram-se Alfredinho (veterano do flautim), Bide (flautista que põe fogo na casa em Honória), Ruben, Mirinho, Lentini (os três violonistas soberbos), Waldemar (cavaquinho) e o saudoso Almirante aqui soltando o gogó apenas pela honra de estar ao lado de tão ilustríssimos senhores. Agora imagine essa galera reunida nas gravações! No encarte você lerá que o disco saiu de uma sessão só de 4 horas irresistivelmente descontraídas e regadas a alguns goles de cachaça. Assim são feitos os clássicos meus amigos! Aproveite!

Discão que beixei pela primeira vez no Soulseek, mas já anda aparecendo nos blogs por aí. Mais que na hora de ganhar os pcs de todo o mundo. Esse que você vai baixar foi de um link tirado do Loronix. Que no quesito nostalgia brasileira é o maior blog da internet.

baixe esse disco que diz o seu Manoel, não pára de tocar lá em Pasárgada.